nós, que sabemos e erramos

Nós, que sabemos e erramos… Sofremos dores imensamente maiores. O arrependimento que sentimos, quando sabemos e erramos, esse é o imperdoável. As almas estão adoecidas, não pensam na cura. Querem tecnologia e fluxo. Eu poderia estar a escolher a roupa da festa, poderia ver novela hoje anoite, mas não haverá perdão. Eu não saberei me perdoar. Eu poderia torcer para um time. Chamar as amigas para conversar. Mas, conversar o quê? Eu acordei mas não sei acordar as pessoas. E esse é o imperdoável. Almas adoecidas e solidão massiva, mal do século. Errar é o certo. Não erre e seja louco. Um resumo para o banho de chuva: casamentos são contratos de felicidade, felicidade utópica. Casamento é a aceitação do condicionamento que a sociedade impõe. Você precisa se casar, unir os bens, multiplicar e centralizar. Não se casa com mendigos. Desconhecidos que se unem e dizem se amar. Apresentam os bens uns aos outros. Consuma-se. Precisa-se de engenheiros, médicos, advogados. Ai dos enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos. Julgados os que querem vestir branco, mas não tem condições. E você, que quer ser professor. E eu? Ou não julgam, pois passa despercebido. Ou, quem é você pobre coitado? Nada. A ignorância está ampliando a desvalorização dos dons. Uns deixam os dons, e vão de encontro com o sucesso profissional , carreira de sucesso. $$$. Surgem então tesouras esquecidas nas barrigas dos pacientes. Surge então enfermeiras aptas a aplicarem vaselina na veia do recém nascido que precisava de soro. Surge então corrupção. Advogado para os Nardoni. Surgem méritos: O MELHOR MÉDICO DO SUL DE MINAS, em fazer aborto. O aluno que sofreu bulliyng volta a visitar a escola anos depois, e faz um massacre. Quem não soube tratá-lo? Supervisoras? Pedagogas? Professoras? Estagiárias? os próprios pais? E a educação? E a atenção? De quem é o erro? De quem é o erro? Eu me pergunto. Você não pode nunca ser músico, dançarino, grafiteiro, tatuador, skatista, a não ser que tenha coragem pra enfrentar e tenha psicológico para suportar. A não ser que você faça isso como um hobbie, mas não seja o que realmente gosta, apenas faça. Nunca toque flauta. Não tente viver de textos. Não ouse ser o que és no fundo de sua alma. Deixe sua personalidade empoeirar, e fazer sumir seus dons e suas habilidades. Não seja nunca segunda voz, a não ser que você seja segunda voz do Luan Santana e ganhe bem $$$, ai tenho certeza que seu pai nao lhe ousa fazer carreira solo, pra não trocar o certo pelo duvidoso. É bem isso que a sociedade diz, sem falar. Como é que pode agente nem se assusta com as notícias do jornal???? Tudo tão normal! Nós nascemos puros, e valorizamos todas as coisas que realmente têm valor. Uma criança gargalha quando vê um cachorro brincando. Uma criança conversa com você olhando no fundo dos seus olhos, olhando diretamente pra sua alma, por não dever nada, por não ter receio. É normal ver criança falar oi. Conta a vida, e sai. Nem acha que você pode fazer uma fofoca. Esses dias na filha do pão, o garotinho me perguntou onde eu morava. Sem maiores intenções, sem querer me visitar, sem antes perguntar meu nome. Podíamos então não perder esses valores. Essa simplicidade…A consciência tranquila que todas as crianças têm. Quais são os problemas dos adultos? Vejamos os nossos problemas e nossas maiores dores de cabeça: dinheiro , falta de dinheiro, não poder comprar o que se quer, sujar o nome no SPC, heranças deixadas para dividir entre até então ‘irmãos’, brigas de família, brigas de quintal, rejeição, medo de não poder viajar, medo de não ter um carro, de não possuir, ciúmes, traiçoes de todos os lados, fofocas, consumismo. Tudo isso oriundos da ignorância. Falta de diálogo. Falha na comunicação. Não íamos consumir tanto se soubéssemos o que realmente precisamos, e não o que queremos. Não haveria traição se soubessemos nos envolver om quem devemos e não com quem queremos formar um casal e unir os bens. Não haveria nome sujo se comprássemos o que pudessemos. Não haveria fofoca se não houvesse maldade em nossas atitudes e em nossos olhos. Tudo poderia ser tão simples. Criamos tantos problemas… Criamos soluções para piorar. Não nos olhamos. Dizem que ‘eu te amo’ não é bom dia. Essa frase valia quando as pessoas se desejavam o tal do ‘bom dia’. Hoje em dia, não se fala mais isso. Não se olham mais! Então, eu te amo é bom dia. Pois não podemos dizer isso para todo mundo. E se mal falamos bom dia, quer dizer que falaríamos menos ‘eu te amo’.  Eu preferiria não ter feito essa afirmação. Que infelicidade ser ser humano. ‘Quero ser isso’. ‘Quero ser aquilo’. ‘Preciso de muitas coisas’. Eu queria mesmo, é ser uma formiga operária. Eu preciso mesmo, é da minha mãe. No mais, assisto. E sei que estou fazendo pouco. Por isso acho que nós, que sabemos e assistimos apenas… somos imensamente mais ignorantes. E por isso sofremos dores imensamente maiores.

incondicional 2

Amarras. Respeito para não desamarrá-las.

Só que eu sei.

Desaperto, alivio o sufoco.

Respeito-me com toda a certeza de quem vive [Respiração]

Reaperto, sem vestígios.

Desrespeito-me novamente, com pavor e desespero.

Respeito, as amarras que me sustentam.

Desrespeito todas as minhas obstinações.

As horas demoram.

Horas são inspirações e expirações

satisfeitas, mas com sede.

Num espasmo,

foram-se anos.

Caíram cílos dos meus olhos

implorando lenda.

Eu nunca fiz meu pedido, para respeitar minhas amarras.

Por força da ordem natural da vida ou talvez destino, ambos supervisionados pelos Olhos Divinos

desrespeito-me para quando chegar o momento

de desatar-me das amarras

ser amiga da saudade

e não, jamais, ácido do arrependimento.

que falta faz o amor incondicional que não se tem…

Eu e minha amiga trocamos cinquenta dúzias de palavras e rimos bastante, diariamente. Nas sextas-feiras, somos o dobro. Vamos comer, beber e rir em algum lugar que não seja as varandas das nossas casas. Não há o que passe despercebido. Rimos do que podemos. Rimos, às vezes, do que não podemos. E isso é sempre bom. Ela sempre me pede pra escrever sobre nossas sextas-feiras. Mas eu nunca senti vontade de parir tal coisa. Nos sábados, geralmente vamos ao clube tomar banho de Sol, fazer a mente virar silêncio, se aquietar. No último sábado, porém, fomos ao clube bem cedo pois estava um dia maravilhoso. Eu, que sou envolta pelo cuidado sufocantemente excessivo do meu pai, que me faz sentir em regime de ditadura em pleno século XXI, quiz saber:

- Sente falta dele, o seu pai?

Naquele dia ensolarado, ela nublou. Ameaçou tempastade, mas não chegou nem a choviscar. Olhou bem nos meu olhos e disse:

-Sinto.

Depois, seu silêncio quiz falar e eu ouvi atentamente. Ela soube deixar o Sol reaparecer.

A relatividade é tão relativa!

Não adianta, apenas, sentar no canto e fazer prece. Assim não acontece. Tem de haver esforço. Trabalhar mente e corpo. Assim procede. Assim sucede. Minha mãe sempre falou pra bater de frente. As vezes olho pra trás, sento e analizo os pontos. Tento justificar os mal procedimentos. Tendo entender o porquê do não sucesso de alguns dos meus feitos. Eu passo debaixo de escadas. Eu dou petelecos em abelhas que pousam em mim. Não mato abelhas, apenas dou petelecos. Tenho medo de ferrão! Nunca reparei qual pé alcança o chão primeiro quando me levanto. Não carrego pimentas. Não sinto-me vulnerável. Consegui e conquistei coisas que queria muito. Mesmo agindo a favor da lenda do azar. A sorte baseia-se no esforço. O esforço baseia-se na vontade que você deposita no que quer. E é assim que eu penso. Por isso consigo as coisas que eu quero, e quando não quero, não consigo, mas ninguém percebe que eu não queria de verdade. E assim ninguém me culpa. Não que eu ligue. E tudo isso também é relativo, assim como todo mundo. Assim como todo o mundo e todo o universo. É tudo relativo. Mas não adianta chorar. E, não adianta apenas fazer prece. Que assim não acontece, mesmo sendo relativo. A não ser que você tenha sorte. Mas sem esforço a probabilidade é muito pouca. Mas pode acontecer, porque tudo é relativo. Assim como é relativo gostar de poesia, e querer bronzear-se. Pode acontecer de você conseguir. Ou não. É tudo relativo. Mas não adianta fazer prece, não. Você é livre. Eu sou free. Então, pense comigo, porque um santo atenderia sua prece? Se fosse assim, não existiria fome no mundo, nem injustiça alguma. Isso é muito relativo. Se é você quem é livre pra tudo, e tem o livre arbítrio, pra quê prece? Você que sabe o que fazer. Então se quer, faça. Esforce. Esforço, é bem isso. Se bem que, as vezes temos vontades que são do nada. Ou são vontades que não realizamos em outras vidas. As vidas passadas. Mas não sei se acredito em outras vidas. Também não duvido. É bem provável que isso aconteça, porque assim evoluimos a alma. Mas é muito relativo. A bíblia diz outra coisa. Mas é muito relativo, porque temos que a interpretar com olhos culturalmente atuais. Ou então, não podemos cobiçar o escravo do próximo! Se foi abolida a escravatura, e aparentemente não existem mais escravos, como vou saber se eu cobiçaria o escravo de um fazendeiro? E como vou poder obedecer esse mandamento da bíblia? Mandamento que foi retirado com a mudança cultural dos séculos. Aliás, somos todos escravos do sistema. Nascemos para estudar, e não ser nada na vida. Nascemos e somos induzidos à pobreza. O ensino médio que não ensina. O governo quer que você saia da escola, com o segundo grau completo, e não saiba nada. Ou então que você pare antes disso. Escola boa para burguezinhos. Que aí ninguém enriquece, apenas os que já eram ricos. Assim o poder vai centralizando. Aí você não sabe se trabalha, pra ganhar um mísero salário mínimo, e espera o aumento do salário mínimo junto com o da inflação, ou se faz um curso técnico. Ou, se for pra faculdade, faz um financiamento estudantil. Endividar-se antes de ter a profissão dos sonhos. É tudo tão relativo. É uma reaçao em cadeia. Você começa uma faculdade que é mais um caça níquel antes de qualquer outra coisa. E aí você pensa que vai ser algo na vida. E aliás, o que é ser algo na vida? É tão relativo. Se você entrar em uma faculdade, ou universidade e ver o caroço pobre, a podridão e a falta de ética, e se você se sentir confuso(a), qual seria a sua ética?Porque é muito relativo. É tudo tão relativo. Aí lembro da minha mãe falando pra bater de frente. Somos escravos de um sistema. Boca sem voz, ou escândalo? Silêncio…Olha é tudo tão relativo. Por isso queria viver assim, fazendo o que gosto. Porque isso é felicidade. Fazer o que se gosta de verdade, e sobreviver com isso, depois Viver. Eu gosto mesmo é de escrever. Mas assim não terei condições de sobreviver. Não estou falando de viver, porque isso só é posivel sobretudo quando primeiramente se conseque sobreviver. E eu não quero escrever livro de auto ajuda. Livro de auto ajuda vende muito, best-seller. Porque as pessoas não tem amigos, e acham que ir ao psicólogo seria um exagero. Compram livros de auto ajuda e acham respostas para toda uma vida. “Vá em frente você é capaz” é o que querer ouvir. Mas como ninguém tem tempo, elas leêm seus estímulos. E ninguém compraria minhas insPIRAÇÕES. Então, batendo de frente, encaro o problema, quase fugindo. Sou vítima de um sistema, de um país de terceiro mundo. Não estou falando de natureza mesmo, que aqui é de primeira. Mesmo assim, tenho que prosseguir. Assim como a própria Terra continua girando, assim como as placas tectônicas continuam se movendo, assim como o Sol continua brilhando, assim como todo mundo continua trabalhando. A diferença é: ser cego ou fingir ser. Ué, isso é relativo. Mas você tem livre arbítrio, escolha o melhor pra você. Você, que decide mesmo o que quer. E não se esqueça de se esforçar. Porque a sorte baseia-se no esforço. E você precisa saber o que quer, para quê você acorda, por quê, por quem, sem saber quando parar. Então continue indo. Se esforçando. Sorrindo. Porque nós sabemos, não adianta somente fazer prece, e tudo isso é relativo assim como o…

formigas saqueadoras

Cheguei a conclusão que não me suporto mais. Não suporto mais contestar o que não me agrada, elogiar o que me agrada. Não suporto mais o ato do pensar. Não aguento mais refletir. Não posso ver pernas de joaninhas, não posso ver cor. As formigas operárias estão saqueando a ração dos meu gatos, neste exato momento, porque é verão e elas sabem que o inverno vem impiedoso e seco, sem sabor. Elas estão saqueando. São formigas saqueadoras. Mal sabem elas que meu pai alimenta os meus gatos. Mal sabem as formigas, que meu pai se levantou hoje, às seis da manhã para cumprir o seu ofício, e elas estão saqueando a ração que o meu pai comprou com o dinheiro que ele recebe por cumprir seu ofício. Elas simplesmente estão saqueando desde quinta-feira passada. Eu queria poder enxergar o tamanho desse formigueiro debaixo da terra. Elas sabem a trajetória que têm de fazer para chegar até o potinho de ração, e sabem voltar para o formigueiro. Elas, formigas operárias, também estão cumprindo o seu ofício. Podiam virar a esquina de uma porta, e nunca mais voltarem? - me pergunto. Podiam elas largarem o fardo pesado, de carregar folhas enormes (no caso, rações), que fazem suas perninhas frágeis tremerem, e irem pra outro jardim, ou quintal, ou buraco debaixo da terra? - será?. Essas formigas operárias, mal sabem que meu pai é sindicalista. Isso é uma ironia do destino. Saquear um pote de rações, de origem sindicalista. E eu, não posso nunca pisoteá-las, nem posso pensar em matá-las, chispá-las todas dali onde estão agora, não posso sequer imaginar o mal-estar que sentiria em tirar o pote de ração dali, e deixá-las como eu cheia de dúvidas, se perguntando ‘aonde foi parar aquela mina de ouro?’. Porque o alimento, é coisa valiosa. Vai que não acham folhas no caminho, o que aquela rainha, imperadora ou sei lá o que, mandaria as formigas capachas fazerem com essas formigas operárias? Estão saqueando, mas não são ruins. São obedientes, organizadas. Um formigueiro mais parece um exército, uma marcha, um meio de comunicação sem voz, um exemplo. Parece escravidão. Parece voluntariado depois de um Tsunami. Parece uma comunidade unida procurando felicidade. Uma coisa é certa: ninguém passa fome no inverno. Nem frio. Esse trabalho intenso de verão deve render sessões de ‘filmes e pipocas’ para todas as formigas no inverno. Ah, com certeza! Será? Não é possível! Deve ser… Mas então, cheguei a conclusão que não me suporto mais.

pedaços ou destroços

Dormideiras no meu caminho, mostram-me corpo-fechado. Não são exemplos, são dormideiras.

Dizer ‘bom dia’ dignifica tanto. Você não está mais offline.

Eu posso pendurar no Sol neste domingo. Espero a passeata de nuvens mornas esvair-se com o vento, assim como esperanças levianas esvaem-se com o tempo. Sol, solente como um gato preto, e dormideiras.

Desaprender tudo que me foi condicionado. Desaprender todo o aprendido:Nada. Shampoo sem Sal. Comida sem Sal. Alfaces, maçãs, sementes. Celulites cerebrais. Aceitações humanas: comportamento-reflexo. Tudo que vai volta? Bate-volta? Pingue-pongue para crianças? Desaprender-lhes-ei! Sou free. 

[Na verdade, eu planto. Escrevo sementes. Ser agricultora da palavras. Estas, brotarão em poucos cérebros, não me refiro aos férteis apenas. Não culpo o entendimento e a interpretação porque algumas das minhas sementes nem têm força para se desenvolver. Eu vim por um caminho hoje pensando que há muitos porquês. Li que, a linguagem nunca descreverá ou explicará todo o sentimento que queremos expressar. Talvez não sabemos formular. Talvez falte vocabulário. Talvez, falte força no pensamento para ser-se. Ou, talvez, existam realmente pensamentos que não podem nunca ser descritos completamente, daí a sensação do incompleto, do interminado. E existem pessoas que nasceram para em um momento da vida expressarem com clareza, o que brotar. Não eu, mas. Pensei isso porque tenho certeza (isso é uma audácia minha em dizer) que Nina Simone expressou exatamente [E-aqui-X-e aqui-A-e aqui também-T- here-A-there-M-lá-E-acolá-N-três coisas-T-verdadeiramente-E] o que sentia quando escreveu ‘feeling good’. Não só! Compôs, e cantou seu sentimento. Compôs, cantou seu sentimento e o meu. Talvez o seu. Descrever bonito mesmo, não linha por linha, mas letra por letra. Então não havendo coisa mais linda aos meus olhos, é isso tudo que eu quero. Exteriorizar o que penso, por meio de palavras. Compartilhar até quando não achar necessário, deixar transparecer, dar a conhecer o que ainda não sei. Idéias que tenho depois de voltar de um passeio. Idéias que tenho e não lembro. Ficar manisfestando. Acabei de pensar que sou livre para continuar tentando. Mas pensei que sou free para continuar tentando. Então, sou free para continuar tentando. Manoel de Barros: A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos. Ele disse terapia literária. Ele sabe! A terapia literária consiste em algo. Embora a leitura tenha perdido a força assim como a escrita, poucos fazem terapia. Desarrumar a linguagem! Perfeito! A ponto que ela expresse, ou tente, porque é free. Ele quer que a palavra sirva na boca dos passarinhos. Sou livre pra tentar aprender fazer lerem me. Isso é algo a se aprender. Eu jamais sentirei vontade de desaprender isso, como sinto vontade de desaprender o mundo.]

sweetness

Eu derrubei um pensamento que não podia. Caiu no chão e explodiu. Dissipou em trinta mil pedaços. Metade preto-estrelados e a outra metade branco-pontiagudos. Os branco-pontiagudos sangraram o meu pé, sem doer. Os preto-estrelados, me cegaram ao breu de fundo de túnel, por dependerem da luz do Sol, que estava ocupado iluminando outros continentes, que não o meu mundo interior. Mas acontece que nem um mágico montaria-o novamente, porque não tem truque nenhum, é alucinação real de pensamento em pedaços. Nem a paciência teria si própria a montar pedacinhos de pensamentos preto e branco, ameaçadores. Pensei em deixar pra um anjo comer. Contei 10 segundos, a regra do apodrecer. Pensei em assoprar pro canto da calçada. Pensei em interditar o passeio, empurrar todos. Pensei em chamar a polícia, avisar minha mãe, Deus. Refletir é compartilhar dolorosamente, sangrar sem ver, sarar sem remédio, sem unção. Derrubar um pensamento é compartilhar em vão. O pensamento que se quebra não está concluído. Derrubado não quebra, se refletido estiver, objetivado ao foco que se propõe, e compõe. Cacos de pensamentos não dissolvem, não secam, não decompõe com o tempo, mas ramificam. Cacos de pensamentos ramificam, e viram árvore. Raízes enormes em terra fofa. Isso dificulta a vida de quem derruba um pensamento prematuro, da incubadora de um cérebro infértil de certezas. Eu não sei nem se ‘infértil’ existe na gramática dos corretos. Árvore de cacos de pensamentos ramificados possuem as pessoas que têm dúvidas muito complexas. E complexidade, é ter muitas opções. Ter muitas opções é querer todas, ou nenhuma, ou algumas, ou só uma. Ou talvez nem ter opções. Melhor-pior opnião. Ou talvez nem raciocinar. Talvez nem ser, então, pra sintetizar. Na verdade, porque tudo isso? Não se deve chorar pelo pensamento derrubado, que a lágrima possui o dádiva de ’adubar’ os pedacinhos no chão, ou nuvem, pra quem pensa alto, e sonha. Mais trinta mil hoje não. Vou tomar um copo d’água e sonhar, que lá eu faço o impossível sem prévios pensamentos, sem planos, sem hora, com asas, sem gravidade, o real ser diferente, e o que não aconteceu, acontecer.

ioga

não fosse a busca incessante

por observar

e o querer não só enxergar tudo - mas ver- não olhar apenas,

com toda percepção que possuo e almejo - se não possuo, almejo,

e nivelá-la ENTRE as razões e as emoções

[emoçoes: estas são mais da metade de mim],

imaginar um átomo ou uma molécula, ver além-céu e o universo que meus olhos não podem enxergar, MAS IMAGINAM,

talvez, ainda incerta do próximo pensamento que estou a caminho,

eu não possuiria dúvidas tão medianas, e muitas das vezes não teria dúvidas induzidas por corações levianos, e mentes

e não sentiria, creio eu

a sensação que inunda todas as pontas e pêlos do meu corpo [que acho robusto para tal sensação e por isso sobrevive à essas catástrofes] - Ânsia

de me perguntar agora, em sequência de pensamento

a dúvida que pairava quando peguei na caneta,

a dúvida pela qual- eu duvidótica - estou digitando isso

antes de tomar o café da manhã,

antes mesmo de abrir a janela pro ar entrar

a duvidinha de todas as mañanas - pague um leve três

UM KIT DE TRÊS!

‘Por quê? Pra quê? Pelo quê? - essa vida.

MAS, não fosse o kit de todas as manhãs

não fosse toda busca incessante e …[releia o começo]

eu não escreveria,

mesmo sabendo que a linguagem só diz o que ela diz,e portanto não diz tudo, ENTÃO FICA O NÃO DITO POR DITO (F. GULLAR, 81 anos, presenteou leitores no jornal com estas belas frases-30/10/2011)

eu não estaria agora -

respirando em paz.

Escrevi.

sem evitar ‘creio eu’

sem evitar ‘acho que’

sem evitar parênteses e colchetes.

sem negar a dúvida,

escrevi e me sinto bem.

é disso que eu sou refém, e escrava se precisar.

das palavras todas e das dúvidas,

que tambem como os poemas- querem nascer sem ter começo, e mais do que ninguém

não tem por quê

mas tem ‘pra quê’, e principalmente

PELO QUÊ

existem, necessariamente, infinitamente e incessantemente

existem como rochas, folhas e novos ares.

Em mim.

-mgcpny

Com o tempo você vai afrouxando as amarras que o tempo lhe fez. Vai descartando conceitos desnecessários, esvaziando a lixeira psicológica, expandindo a mente frente e verso…E vai entender melhor o que é até mesmo respirar sem precisar pensar.  InsPIRAÇÕES. allieeeeeeeen-ação

 

Uma mala ou uma corda são coisas que definem muito a vida de uma pessoa. Assim como as esquinas.

desinfeta

HUMANOSIDADES

EMOÇÃO:

Se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo, algo está errado. Eu quero dizer que, se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo, você está morto, e eu sinto muito. (If your heart beats only to keep you alive, something is wrong. I mean that if your heart beats only to keep you alive, your’re dead, and I’m sorry.) 

RAZÃO:

Se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo isso significa que seu cérebro está funcionando. (If your heart beats only to keep you alive, it means that your brain is working.) 

Razão e emoção, cérebro e coração. Humanosidades. (with dani belinni)

genuflexorio

Muitos joelhos ainda vão se dobrar, muitos pastores ainda vão ascender por conta da palavra, da ganância. Procuram Deus, buscam o caminho correto, buscam a verdade mas a cura e o perdão não estão na igreja, não estão na óstia, tampouco na comunhão de todas as coisas que são omitidas no dia em que deviam, pelas leis humanas de todos os sete dias, serem reveladas. A cura passa longe do sermão do pastor, mais longe ainda da água benta. O perdão não está ali, está em sua forma de agir. Até que não precisem dele. Até que sua alma seja limpa como o orvalho de uma flor. Quem benze a água benta é tão humano e erranto quanto nós. Água benta é água de cachoeira que escorre sem pecado, sem intervenção humana. Água que desce livre da natureza e segue o caminho certo sem se preocupar com pecados, pois nem sabe o que é isso. Lá se benze. A cura está na mão que eles não estendem. A cura está tão facilmente visível aos olhos que eles não enxergam, não conseguem ver. A cegueira da verdade, a mentira da vida correta que não existe. Não seremos bons o suficiente, se assim continuarmos. Não seremos puros omitindo pecados. Se não falarmos das nossas víceras, como seremos perdoados? Talvez porque omitir para o padre seja menos pior do que omitir no dia da verdade e diminua minha sentença no inferno? Num mundo desse como imaginarei um inferno!? Talvez a verdade saia das nossas bocas no dia do juízo final? Estaremos diante de uma sentença, de um Deus que nos ama incondicionalmente e morreu por nós, mas nos mandará para o inferno, por conta do livre arbitrio que tomamos em alguns momentos de nossas vidas? Livre arbitrio esse  que ele próprio nos deu? Alguns momentos em que, humanamente desesperados, agimos sem pensar? Agimos erradamente? Nós, que não pedimos para nascer, não pedimos para existir, nem saberíamos de nada, se não tivessemos sido criados?  Nós que julgamos os outros, julgamos o próximo, brincamos de Deus? Qual é o sentido de um Deus que nos julga? Deus não é isso, é simples, verde , fresco, energético. Deus está tão aqui comigo, e eu não vou há tantos anos na igreja. Deus me vem sempre que eu me compadeço e ajudo alguém que de mim precisa. Eu só confessei no dia da primeira eucaristia, confessei para o padre, mas para Deus, é diariamente. Ele que acompanha minha vida, minhas ações, sabe dos meus pensamento. Deus não força, não julga. Simplesmente ama. Não há inferno maior que o que fizemos com a terra. O inferno, nós criamos, aqui mesmo , aqui e agora.

LAMENTO

menina baixa do salto alto

da barriga magra, do olho gordo

do cabelo comprido, do pavio curto

como você é por traz desse colorido todo?

por traz da maquiagem? e sem o sutian de bojo?

o que você tem no cérebro? glitter?

miss á  procura de um mister?

se olha no espelho, sem vaidade

cilios falso, bronzeado falso

e você se pergunta porque nao acha um homem de verdade

é porque sabe que não tem capacidade

já está falada na cidade

é tão a mostra que não causa curiosidade

é porque a beleza nao sustenta

e o corpo também

quando a rotina vem

ou quando falta vintém

você tem que contentar com o que tem

ou procurar quem tem

você sabe que é linda

sem saber quer ser linda somente é pouco

é como um bombom oco.

eu fiz esse versinho pra você

pra te mostrar como se põe pra baixo sem descer.

somos livres para morrer

senta aí com calma

que já vão levar sua alma

espera que já vem

você é livre mesmo

enquanto isso escolha

onde é que você prefere morrer

no corredor do sus

ou na fila do transplante

senta aí e escolhe com calma

aqui é você quem manda

eles já vêm pra buscar sua alma

você é livre pra morrer

e aquele homem que matou sem intenção

pra não matar serviço

morreu também

trabalhando e dirigindo sem descansar

tomando remédio pra aguentar o batente

até perder o controle

e aquele tenente

disse que foi homicídio doloso

quando há intenção de matar

pois ele ingeriu remédios pro seu olho não fechar

o homicidio é doloso sim

a culpa vem de longe e usa máscara

a culpa usa terno e gravata

a culpa está no papel bem redigida

muito bem vestida

camuflada e antiga

escondida atrás das intrigas

ele morreu também

o pior é morrer assim e continuar vivendo

agora vai ser preso

é pobre não vai sair ileso

ninguem trabalha tanto por vontade própria,

é só raciocinar

que o cara tinha que por comida na mesa e tinha familia

e era por isso que perdeu o controle do caminhao

é por isso que perdeu o controle da vida

isso acontece porque somos livres

somos livres pra morrer

o governo deixa morrer

o governo deixa matar

pessoas que morrem e matam sem governo algum

governo nenhum

pessoas apenas

caminhão desgovernado

a culpa é da hipocrisia desse mundo

da desigualdade financeira e falta de oportunidade

excluem se não tiver escolaridade

mas não tem ensino de qualidade

educação de baixa qualidade

pro ser não conseguir crescer

porque nem sempre se nasce artista

MAS

somos livres

e desconfie

porque tudo é conspiração

sabemos disso

sabemos que no aniversário das lojas quem ganha não somos nós

sabemos que não há coincidências na televisão

apenas realidades irreais

a adolescencia não é MALHAÇÃO

aquilo é um mundo boboca

a realidade é tensa e nervosa, nao poderia jamais ser exposta

mas sabemos

e o personagem principal da novela

não morre engasgado com azeitona

não morre de parada cardíaca nem de acidente de carro

indo encontrar com o amor de sua vida no aeroporto

você sabe que o final será feliz

somos livres pra acreditar

e morrer

não acredite que você vai curtir a página das suas marcas preferidas

das bancas que gosta

e isso vai mostrar quem você é ou o que você curte

você é apenas meio de propagação em massa

dos produtos , das coisas, das marcas

propaganda gratuita

enriquecer quem já têm muito

e quase que inconcientemente

ser mais uma peça no tabuleiro

não se esqueça que somos livres pra morrer

as coisas boas, as musicas boas, bons escritos

estão ocultados

é tudo conspiração

não existe desconto

nem promoção

nem brindes nem amostras

existem impostos

e lucros

somos livres para acreditar nisso

e morrer

não pense que o patrão é bom

só porque contratou um deficiente físico ou dois

ele não faz isso por boa vontade e porque quer

ele está apenas cumprindo a lei

não existe inclusão

mas somos livres pra acreditar

se convier

SOMOS LIVRES

PARA MORRER

senta aí com calma

que já vão levar sua alma

espera que já vem

você é livre mesmo

enquanto isso escolha

onde é que você prefere morrer