nós, que sabemos e erramos
Nós, que sabemos e erramos… Sofremos dores imensamente maiores. O arrependimento que sentimos, quando sabemos e erramos, esse é o imperdoável. As almas estão adoecidas, não pensam na cura. Querem tecnologia e fluxo. Eu poderia estar a escolher a roupa da festa, poderia ver novela hoje anoite, mas não haverá perdão. Eu não saberei me perdoar. Eu poderia torcer para um time. Chamar as amigas para conversar. Mas, conversar o quê? Eu acordei mas não sei acordar as pessoas. E esse é o imperdoável. Almas adoecidas e solidão massiva, mal do século. Errar é o certo. Não erre e seja louco. Um resumo para o banho de chuva: casamentos são contratos de felicidade, felicidade utópica. Casamento é a aceitação do condicionamento que a sociedade impõe. Você precisa se casar, unir os bens, multiplicar e centralizar. Não se casa com mendigos. Desconhecidos que se unem e dizem se amar. Apresentam os bens uns aos outros. Consuma-se. Precisa-se de engenheiros, médicos, advogados. Ai dos enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos. Julgados os que querem vestir branco, mas não tem condições. E você, que quer ser professor. E eu? Ou não julgam, pois passa despercebido. Ou, quem é você pobre coitado? Nada. A ignorância está ampliando a desvalorização dos dons. Uns deixam os dons, e vão de encontro com o sucesso profissional , carreira de sucesso. $$$. Surgem então tesouras esquecidas nas barrigas dos pacientes. Surge então enfermeiras aptas a aplicarem vaselina na veia do recém nascido que precisava de soro. Surge então corrupção. Advogado para os Nardoni. Surgem méritos: O MELHOR MÉDICO DO SUL DE MINAS, em fazer aborto. O aluno que sofreu bulliyng volta a visitar a escola anos depois, e faz um massacre. Quem não soube tratá-lo? Supervisoras? Pedagogas? Professoras? Estagiárias? os próprios pais? E a educação? E a atenção? De quem é o erro? De quem é o erro? Eu me pergunto. Você não pode nunca ser músico, dançarino, grafiteiro, tatuador, skatista, a não ser que tenha coragem pra enfrentar e tenha psicológico para suportar. A não ser que você faça isso como um hobbie, mas não seja o que realmente gosta, apenas faça. Nunca toque flauta. Não tente viver de textos. Não ouse ser o que és no fundo de sua alma. Deixe sua personalidade empoeirar, e fazer sumir seus dons e suas habilidades. Não seja nunca segunda voz, a não ser que você seja segunda voz do Luan Santana e ganhe bem $$$, ai tenho certeza que seu pai nao lhe ousa fazer carreira solo, pra não trocar o certo pelo duvidoso. É bem isso que a sociedade diz, sem falar. Como é que pode agente nem se assusta com as notícias do jornal???? Tudo tão normal! Nós nascemos puros, e valorizamos todas as coisas que realmente têm valor. Uma criança gargalha quando vê um cachorro brincando. Uma criança conversa com você olhando no fundo dos seus olhos, olhando diretamente pra sua alma, por não dever nada, por não ter receio. É normal ver criança falar oi. Conta a vida, e sai. Nem acha que você pode fazer uma fofoca. Esses dias na filha do pão, o garotinho me perguntou onde eu morava. Sem maiores intenções, sem querer me visitar, sem antes perguntar meu nome. Podíamos então não perder esses valores. Essa simplicidade…A consciência tranquila que todas as crianças têm. Quais são os problemas dos adultos? Vejamos os nossos problemas e nossas maiores dores de cabeça: dinheiro , falta de dinheiro, não poder comprar o que se quer, sujar o nome no SPC, heranças deixadas para dividir entre até então ‘irmãos’, brigas de família, brigas de quintal, rejeição, medo de não poder viajar, medo de não ter um carro, de não possuir, ciúmes, traiçoes de todos os lados, fofocas, consumismo. Tudo isso oriundos da ignorância. Falta de diálogo. Falha na comunicação. Não íamos consumir tanto se soubéssemos o que realmente precisamos, e não o que queremos. Não haveria traição se soubessemos nos envolver om quem devemos e não com quem queremos formar um casal e unir os bens. Não haveria nome sujo se comprássemos o que pudessemos. Não haveria fofoca se não houvesse maldade em nossas atitudes e em nossos olhos. Tudo poderia ser tão simples. Criamos tantos problemas… Criamos soluções para piorar. Não nos olhamos. Dizem que ‘eu te amo’ não é bom dia. Essa frase valia quando as pessoas se desejavam o tal do ‘bom dia’. Hoje em dia, não se fala mais isso. Não se olham mais! Então, eu te amo é bom dia. Pois não podemos dizer isso para todo mundo. E se mal falamos bom dia, quer dizer que falaríamos menos ‘eu te amo’. Eu preferiria não ter feito essa afirmação. Que infelicidade ser ser humano. ‘Quero ser isso’. ‘Quero ser aquilo’. ‘Preciso de muitas coisas’. Eu queria mesmo, é ser uma formiga operária. Eu preciso mesmo, é da minha mãe. No mais, assisto. E sei que estou fazendo pouco. Por isso acho que nós, que sabemos e assistimos apenas… somos imensamente mais ignorantes. E por isso sofremos dores imensamente maiores.




