incondicional 2

Amarras. Respeito para não desamarrá-las.

Só que eu sei.

Desaperto, alivio o sufoco.

Respeito-me com toda a certeza de quem vive [Respiração]

Reaperto, sem vestígios.

Desrespeito-me novamente, com pavor e desespero.

Respeito, as amarras que me sustentam.

Desrespeito todas as minhas obstinações.

As horas demoram.

Horas são inspirações e expirações

satisfeitas, mas com sede.

Num espasmo,

foram-se anos.

Caíram cílos dos meus olhos

implorando lenda.

Eu nunca fiz meu pedido, para respeitar minhas amarras.

Por força da ordem natural da vida ou talvez destino, ambos supervisionados pelos Olhos Divinos

desrespeito-me para quando chegar o momento

de desatar-me das amarras

ser amiga da saudade

e não, jamais, ácido do arrependimento.

que falta faz o amor incondicional que não se tem…

Eu e minha amiga trocamos cinquenta dúzias de palavras e rimos bastante, diariamente. Nas sextas-feiras, somos o dobro. Vamos comer, beber e rir em algum lugar que não seja as varandas das nossas casas. Não há o que passe despercebido. Rimos do que podemos. Rimos, às vezes, do que não podemos. E isso é sempre bom. Ela sempre me pede pra escrever sobre nossas sextas-feiras. Mas eu nunca senti vontade de parir tal coisa. Nos sábados, geralmente vamos ao clube tomar banho de Sol, fazer a mente virar silêncio, se aquietar. No último sábado, porém, fomos ao clube bem cedo pois estava um dia maravilhoso. Eu, que sou envolta pelo cuidado sufocantemente excessivo do meu pai, que me faz sentir em regime de ditadura em pleno século XXI, quiz saber:

- Sente falta dele, o seu pai?

Naquele dia ensolarado, ela nublou. Ameaçou tempastade, mas não chegou nem a choviscar. Olhou bem nos meu olhos e disse:

-Sinto.

Depois, seu silêncio quiz falar e eu ouvi atentamente. Ela soube deixar o Sol reaparecer.

pedaços ou destroços

Dormideiras no meu caminho, mostram-me corpo-fechado. Não são exemplos, são dormideiras.

Dizer ‘bom dia’ dignifica tanto. Você não está mais offline.

Eu posso pendurar no Sol neste domingo. Espero a passeata de nuvens mornas esvair-se com o vento, assim como esperanças levianas esvaem-se com o tempo. Sol, solente como um gato preto, e dormideiras.

Desaprender tudo que me foi condicionado. Desaprender todo o aprendido:Nada. Shampoo sem Sal. Comida sem Sal. Alfaces, maçãs, sementes. Celulites cerebrais. Aceitações humanas: comportamento-reflexo. Tudo que vai volta? Bate-volta? Pingue-pongue para crianças? Desaprender-lhes-ei! Sou free. 

[Na verdade, eu planto. Escrevo sementes. Ser agricultora da palavras. Estas, brotarão em poucos cérebros, não me refiro aos férteis apenas. Não culpo o entendimento e a interpretação porque algumas das minhas sementes nem têm força para se desenvolver. Eu vim por um caminho hoje pensando que há muitos porquês. Li que, a linguagem nunca descreverá ou explicará todo o sentimento que queremos expressar. Talvez não sabemos formular. Talvez falte vocabulário. Talvez, falte força no pensamento para ser-se. Ou, talvez, existam realmente pensamentos que não podem nunca ser descritos completamente, daí a sensação do incompleto, do interminado. E existem pessoas que nasceram para em um momento da vida expressarem com clareza, o que brotar. Não eu, mas. Pensei isso porque tenho certeza (isso é uma audácia minha em dizer) que Nina Simone expressou exatamente [E-aqui-X-e aqui-A-e aqui também-T- here-A-there-M-lá-E-acolá-N-três coisas-T-verdadeiramente-E] o que sentia quando escreveu ‘feeling good’. Não só! Compôs, e cantou seu sentimento. Compôs, cantou seu sentimento e o meu. Talvez o seu. Descrever bonito mesmo, não linha por linha, mas letra por letra. Então não havendo coisa mais linda aos meus olhos, é isso tudo que eu quero. Exteriorizar o que penso, por meio de palavras. Compartilhar até quando não achar necessário, deixar transparecer, dar a conhecer o que ainda não sei. Idéias que tenho depois de voltar de um passeio. Idéias que tenho e não lembro. Ficar manisfestando. Acabei de pensar que sou livre para continuar tentando. Mas pensei que sou free para continuar tentando. Então, sou free para continuar tentando. Manoel de Barros: A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos. Ele disse terapia literária. Ele sabe! A terapia literária consiste em algo. Embora a leitura tenha perdido a força assim como a escrita, poucos fazem terapia. Desarrumar a linguagem! Perfeito! A ponto que ela expresse, ou tente, porque é free. Ele quer que a palavra sirva na boca dos passarinhos. Sou livre pra tentar aprender fazer lerem me. Isso é algo a se aprender. Eu jamais sentirei vontade de desaprender isso, como sinto vontade de desaprender o mundo.]

ioga

não fosse a busca incessante

por observar

e o querer não só enxergar tudo - mas ver- não olhar apenas,

com toda percepção que possuo e almejo - se não possuo, almejo,

e nivelá-la ENTRE as razões e as emoções

[emoçoes: estas são mais da metade de mim],

imaginar um átomo ou uma molécula, ver além-céu e o universo que meus olhos não podem enxergar, MAS IMAGINAM,

talvez, ainda incerta do próximo pensamento que estou a caminho,

eu não possuiria dúvidas tão medianas, e muitas das vezes não teria dúvidas induzidas por corações levianos, e mentes

e não sentiria, creio eu

a sensação que inunda todas as pontas e pêlos do meu corpo [que acho robusto para tal sensação e por isso sobrevive à essas catástrofes] - Ânsia

de me perguntar agora, em sequência de pensamento

a dúvida que pairava quando peguei na caneta,

a dúvida pela qual- eu duvidótica - estou digitando isso

antes de tomar o café da manhã,

antes mesmo de abrir a janela pro ar entrar

a duvidinha de todas as mañanas - pague um leve três

UM KIT DE TRÊS!

‘Por quê? Pra quê? Pelo quê? - essa vida.

MAS, não fosse o kit de todas as manhãs

não fosse toda busca incessante e …[releia o começo]

eu não escreveria,

mesmo sabendo que a linguagem só diz o que ela diz,e portanto não diz tudo, ENTÃO FICA O NÃO DITO POR DITO (F. GULLAR, 81 anos, presenteou leitores no jornal com estas belas frases-30/10/2011)

eu não estaria agora -

respirando em paz.

Escrevi.

sem evitar ‘creio eu’

sem evitar ‘acho que’

sem evitar parênteses e colchetes.

sem negar a dúvida,

escrevi e me sinto bem.

é disso que eu sou refém, e escrava se precisar.

das palavras todas e das dúvidas,

que tambem como os poemas- querem nascer sem ter começo, e mais do que ninguém

não tem por quê

mas tem ‘pra quê’, e principalmente

PELO QUÊ

existem, necessariamente, infinitamente e incessantemente

existem como rochas, folhas e novos ares.

Em mim.

-mgcpny

Com o tempo você vai afrouxando as amarras que o tempo lhe fez. Vai descartando conceitos desnecessários, esvaziando a lixeira psicológica, expandindo a mente frente e verso…E vai entender melhor o que é até mesmo respirar sem precisar pensar.  InsPIRAÇÕES. allieeeeeeeen-ação

 

Uma mala ou uma corda são coisas que definem muito a vida de uma pessoa. Assim como as esquinas.

HUMANOSIDADES

EMOÇÃO:

Se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo, algo está errado. Eu quero dizer que, se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo, você está morto, e eu sinto muito. (If your heart beats only to keep you alive, something is wrong. I mean that if your heart beats only to keep you alive, your’re dead, and I’m sorry.) 

RAZÃO:

Se seu coração bate apenas para mantê-lo vivo isso significa que seu cérebro está funcionando. (If your heart beats only to keep you alive, it means that your brain is working.) 

Razão e emoção, cérebro e coração. Humanosidades. (with dani belinni)

genuflexorio

Muitos joelhos ainda vão se dobrar, muitos pastores ainda vão ascender por conta da palavra, da ganância. Procuram Deus, buscam o caminho correto, buscam a verdade mas a cura e o perdão não estão na igreja, não estão na óstia, tampouco na comunhão de todas as coisas que são omitidas no dia em que deviam, pelas leis humanas de todos os sete dias, serem reveladas. A cura passa longe do sermão do pastor, mais longe ainda da água benta. O perdão não está ali, está em sua forma de agir. Até que não precisem dele. Até que sua alma seja limpa como o orvalho de uma flor. Quem benze a água benta é tão humano e erranto quanto nós. Água benta é água de cachoeira que escorre sem pecado, sem intervenção humana. Água que desce livre da natureza e segue o caminho certo sem se preocupar com pecados, pois nem sabe o que é isso. Lá se benze. A cura está na mão que eles não estendem. A cura está tão facilmente visível aos olhos que eles não enxergam, não conseguem ver. A cegueira da verdade, a mentira da vida correta que não existe. Não seremos bons o suficiente, se assim continuarmos. Não seremos puros omitindo pecados. Se não falarmos das nossas víceras, como seremos perdoados? Talvez porque omitir para o padre seja menos pior do que omitir no dia da verdade e diminua minha sentença no inferno? Num mundo desse como imaginarei um inferno!? Talvez a verdade saia das nossas bocas no dia do juízo final? Estaremos diante de uma sentença, de um Deus que nos ama incondicionalmente e morreu por nós, mas nos mandará para o inferno, por conta do livre arbitrio que tomamos em alguns momentos de nossas vidas? Livre arbitrio esse  que ele próprio nos deu? Alguns momentos em que, humanamente desesperados, agimos sem pensar? Agimos erradamente? Nós, que não pedimos para nascer, não pedimos para existir, nem saberíamos de nada, se não tivessemos sido criados?  Nós que julgamos os outros, julgamos o próximo, brincamos de Deus? Qual é o sentido de um Deus que nos julga? Deus não é isso, é simples, verde , fresco, energético. Deus está tão aqui comigo, e eu não vou há tantos anos na igreja. Deus me vem sempre que eu me compadeço e ajudo alguém que de mim precisa. Eu só confessei no dia da primeira eucaristia, confessei para o padre, mas para Deus, é diariamente. Ele que acompanha minha vida, minhas ações, sabe dos meus pensamento. Deus não força, não julga. Simplesmente ama. Não há inferno maior que o que fizemos com a terra. O inferno, nós criamos, aqui mesmo , aqui e agora.

incondicional 1

Aquele tempo em que minha hora era a hora da minha mãe e eu era carregada para todos os lados, no banco, no supermercado, na farmácia, na manicure, no curso de cabelereiro, na casa da amiga, na padaria, na receita federal, na onde ela precisasse ir, eu tinha que ir junto. De mãos dadas, andávamos, e ela me comprava um salgado e um suco. Um dia que fui coçar meu nariz, quando voltei a mão, dei a mão para outra mulher, que ria de mim. Minha mãe estava perto, rindo também. Saíamos para comprar ração, e colocávamos o braço na bacia de alpiste, na bacia de sementes de girassol, na bacia de painço. Era terapia. Passear no mercado com a minha mãe era maravilhoso, aquele cheiro de fruta e de coisas da terra e de especiarias, minha mãe comigo. Amo minha mãe.

éramos cúmplices

Era uma vez, eu no ponto de ônibus voltando para casa. Como sempre. Eram mais ou menos 10:50 da manhã. O Sol assistia o mundo de camarote, não tinha uma nuvem no céu, e ele parecia achar o espetáculo da vida coisa muito importante, evento de luxo, calor e luz de gala, naquele tapete azul. O dia estava realmente quente, daqueles que você se esconde até na sombra do poste. E o ponto de ônibus lotado. Não que eu parasse sempre no mesmo lugar, não que aquele lugar pudesse me pertencer, mas de alguma maneira eu chamava aquele canto de meu. Um canto, pra fora do ponto de ônibus onde eu gostava de ficar porque eu posso me esconder estrategicamente à noite, e me proteger do Sol em dias calorosos. Sentei no canto. Trinta segundos acomodada e agradecendo a sombra que encontrei, um senhor quase senta em cima de mim. De certo porque também considerava aquele canto como seu. Ele disse: ‘Ah menina, sentou no meu canto é?’ Antes mesmo que ele terminasse essa frase, já me retirei do lugar, ele recusou mas agradeceu. Eu novamente naquele Sol, quase derretendo, eu queria água, queria minha casa. Não havia outra sombra, meus braços começaram a avermelhar, tanta é a falta de melanina, mas de maneira alguma poderia ter continuado no meu canto, sendo que ele também pertencia a outra pessoa e neste caso, mais velha do que eu. O senhor me perguntou:

-Passou Santa Rosa?

-Sim, passaram três mas Via Rodovia. - eu respondi.

-Ah, preciso do Via Varginha, moro em frente a Igreja São Benedito.

Eu sorri. Por dentro, eu chingava. Por algum segundo dei-me por reparar o senhor que me tirou da sombra. Enquanto ele abaixou para mecher em uma sacolinha, pude ver que tinha remédios dentro. E pude ver que ele é um senhor realmente idoso, cabelinhos brancos finíssimos, rugas e olhos caídos avermelhados. Eu que tenho um pai de 68 anos, imaginei que o senhor tivesse uns 80, sinceramente. Logo, meu pensamento parou, nem chingava, nem agradava. Voltei-me para ver se vinha algum ônibus e ele começou a gargalhar, uma gargalhada fraca e rouca, que me impulsionou a olhá-lo de volta. Me explicou:

-A pombinha. - e gargalhava.

-Pombinha? Uhn?

-Uma pombinha passou quase bateu na sua cabeça. - e sorriu. Voou assim oh-  e mostrou passando a mão em cima da minha cabeça.

-Ah! Não vi… e sorri, encerrando o assunto educadamente.

Eu que sou filha da mão que atravessa a rua para nã cumprimentar conhecidos, e eu que detesto ir comprar pão para não ver a cara de ninguém, estava ali relutando. Ele se apertou no canto, e me ofereceu uma ponta de sombra. Nesse momento, pensei em recusar, pensei em sentar na sombra pois o Sol estava judiando,pensei no meu avô, pensei no passado, pensei no meu avô, pensei que esse senhor poderia ser um mal intencionado, pensei no meu avô, pensei que ele era um santo, um anjo e pensei também, no meu avô. Sentei na sombra. Tinha medo, mas tinha mais calor. E mesmo tendo aceitado, fiquei metade na sombra e metade no Sol. Receio de experiências passadas. Pensei no meu avô. Ele insistiu em uma conversa e disse:

-Onze horas tem o Ano Bom, ele passa no bairro da Varginha.

e eu perguntei:

-Ele vira na rua de Maria da Fé?

-Sim. Para você esse ônibus não dá né? Mora na Imbel.

E eu assustei. Como ele sabia? E olha que fiquei em silêncio voltando a cena para ver se eu tinha falado onde eu morava e se ele me conhecia. ‘DEUS! ELE É DEUS QUERENDO FALAR COMIGO’ - pensei. Nada disso, ele raciocinou rapidamente o seguinte: se eu esperava um Santa Rosa Via Varginha, e não me adiantava o Santa Rosa Via Rodovia, é porque na Santa Rosa eu não moro, ou qualquer um me levaria até lá; se eu perguntei se o ônibus vira para Maria da Fé, e essa virada é no bairro da Varginha e entre o bairro da Varginha e o Santa Rosa está o meu a Imbel, então, foi isso. Assim, contei a ele que meu pai trabalha na Imbel (a fábrica) há 30 anos e que eu moro lmbel (bairro) há 8. Eu tenho mania de querer achar que as coisas sobrenaturais acontecem a todo momento e torço para isso, mas não era o caso. Ele falou:

-Meu avô vendeu o terreno para a construção da fábrica e do bairro. Eu cresci lá. Estudei na Escolinha.

E eu balançava a cabeça, dizia ‘legal’. Um ônibus aproximou, não era o nosso. Avisei ele, pois queria se levantar. Perguntou as horas, e enquanto ele olhava no braço o relógio, eu olhava o meu celular. Ele fitou o meu celular. Ao mesmo tempo, um som se aproximava, era funk. Eu ja sabia que seria um adolescente voltando da escola com aquelas caixinhas de som na mão. Enquanto meu rosto já estava normal porque eu já tinha entendido da onde vinha o barulho, o do senhor ainda estava sombreando dúvida. Logo ele viu, dois garotos. E os meninos sentaram próximos a nós, um até deitou no muro. Nosso ônibus finalmente veio, eu o avisei e sai na frente. Entrei antes dele, e várias pessoas ainda estavam na sua frente. Na roleta do ônibus mesmo vi que o banco preferencial estava vazio, e eu que sempre opto pelo banco preferencial pois é mais macio, já nem sentei nele pra que ele não sentasse perto de mim. Sou estranha desse tanto. E várias pessoas entraram, vinha ele, passou reto no banco preferencial e sentou-se do meu lado. Sorriu novamente. Apontou os garotos da música alta:

-Olha como sentam, perigoso cair. Meu Deus.

-É.

Esse senhor, tranquilamente feliz, com uma sacolinha de remédios, com sua experiência de vida estampada no rosto, com a calma de sete anjos, com a serenidade de um entardecer fresco de verão, me fazia querer chorar. Não sei se é pelo sofrimento do passado, a velhice e seu prazo, a vida, o pensamento de não ter possuído muitas amizades verdadeiras, a ignorância do mundo, o desespero do mundo, o barulho da vida de todo mundo, o calor, a falta de respeito, a atenção que eu estava dando, mas eu estava apavorada. Pensei porque esse senhor apareceu na minha vida, quantas outras pessoas teriam cortado o assunto, e idosos adoram conversar. Quntas pessoas teriam trocado de lugar, ficado no Sol se queimando só para menter o silêncio de suas vidas tão fechadas e internas e não compartilhar uma manhã, e não fazer amizade, e não ter que ser gentil. E eu ali, desesperada. Quando aproximou da Igreja, em frente a casa dele, ele levantou para dar o sinal. O botão não funcionou, e ele rapidamente puxou a cordinha. Olhou para mim e disse ‘Ufa, quase hein’ e eu chorando, coitada. Eu não queria despedir, mas ele me deu três tapinhas nas costas e disse tranquilamente: ‘Uma feliz viagem, feliz viagem pra você’ - e eu segurando o pranto ’Vai com Deus’. Chorando. Ele desceu, não olhou para trás, eu olhei. Tão sublime que meu amigo tenha me feito sensível numa manhã encalorada de quinta feita, com a vida toda às avessas, enrolada, sem norte, fundo do poço, o fracasso da gambiarra. Chorava não era tristeza. Não poderia nunca reclamar de amizade, ele pelo menos jamais me excluirá do facebook, jamais me cobrará atitudes, jamais me apoiará, jamais me atrapalhará. Jamais mais nada, mas era ouro. Ah, mundo mundano. Amizade não,  que é pouco para o tanto que foi a amizade duradoura do ponto de ônibus, éramos cúmplices.

SALADAMISTA

Quando eu era menor eu adorava brincar de pega-pega e esconde-esconde. Dava um frio na barriga desesperador e delicioso. Eu era a menor do grupo então era me chamavam de café-com-leite. - Cuidado com ela porque ela é café-com-leite, se ela machucar vai chorar e chamar a mamãe’ - diziam. Para perder este posto, treinei muito. Esforço diário, luta semanal. Empenho máximo. Café-com-leite que nada, eu queria ser craque. Dava a hora, meio que depois da aula, juntava a turminha da rua, eu já estava lá atrás da porta esperando gritarem meu nome. Mentira. Esperava que eles chamassem pelo nome da minha irmã, que já tinha tamanho, e eu saía porque ela saía. Meu psicológico já estava preparado, meu físico nem tanto porque eu era fraca, magra e muito baixa. Comia mal, e comia pouco. Fiquei craque na queimada, ninguém me queimava, eu corria de um lado para o outro me achando, sem nem perceber que a brincadeira já tinha acabado, todos os mortos já tinham parado e sentado no meio fio, e quem jogava a bola era minha irmã e uma prima, por consideração. O que importa é que assim, aprendi a correr. No escode-esconde por ser baixa me escondia em lugares mínimos, e corria para bater o nome que é uma beleza. O problema do esconde-esconde era que isso em dava certa incontinência urinária, e eu tinha que fazer umas três ou quatro trocas de roupas devido a isso. No pega-pega, virava alvo. A única brincadeira em que eu era a primeira a ser vista, a única situação em que me davam total atenção, porque queriam que a bobinha corresse de um lado para o outro sem pegar ninguém, para a brincadeira ficar divertida. Mas foi demais quando peguei a manha. Quando estava em situação de risco, ou seja, quando alguém tentava me pegar, eu imaginava um leão correndo atrás de mim. Mais que isso, imaginava um leão de garras afiadas, com a boca aberta, correndo atrás de mim em alta velocidade, com a juba roxa, os olhos vermelhos sangrando, dentes afiadíssimos, cuspindo faísca. Um leão que puta merda, só Nossa Senhora dos Prepotentes poderia me salvar desse trem! Com o tempo, comecei a imaginar que vinham correndo atrás de mim três panteras pretas (interferência da televisão na minha vida, depois de um dia em que assisti um documentário sobre panteras e vi quão impactantes são) imaginei esse impacto todo correndo atrás de mim, todas elas sedentas, famintas, panteras babando, olhando fixamente para minhas perninhas de saracura, correndo muito. Eu imaginava três panteras para dar mais desespero, e dar mais resultado. Com o sucesso das experiências anteriores, ninguém conseguia me pegar no pega-pega. Demais. Invicta. Por fim, já estava apta a correr dos muleques de 15 anos, ou seja, estava ali páreo duro com a puberdade tão sonhada e esperada. Eu já não imaginava nem leões nem panteras. Já imaginava guepardos correndo atrás de mim a 110 quilômetros por hora e eu ali, inalcançável e incansável. Demais mesmo. Café-com-leite nada, eu não poderia jamais ser café-com-leite. Eu era craque, espertíssima. Me superei, fiz tudo que pude para não ser chamada disso! Foi assim, adulta e eficaz, que os pré-adolescentinhos da rua decidiram que eu poderia ficar depois das seis para brincar de saladamista (mais uma vez a interferência da televisão, dessa vez numa turminha de bairro, a turminha que adorava dar umas bitoquinhas enquanto os pais assitiam o que? televisão.) Eu não sabia definir aquele sentimento que me cercou.  Era essa a graça toda? Não podia ser.  Eu não poderia jamais brincar de saladamista! Não aceitei isso de jeito nenhum! Mentira. Depois de uns dias, a curiosidade estava pairando e eu entrei na brincadeira, me pediram saladamista. O mulequinho ia me dar uma bitoca (o pecado imperdoável, ‘ai se a catequista descobrir uma coisa dessa, vou pro inferno na hora! ’ -pensei) então me abaixei rapidamente antes que aqueles lábios de pré-adoslecente tocassem os meus tão puros e inocentes, e eu não podia nem saber quem iria fazer isso, pois alguém tampava meus olhos (essa foi a brincadeira que a Xuxa- A RAINHA DOS BAIXINHOS- ensinou na minha época, puro fetiche, alguém te beija e você não sabe quem pois fica com os olhos vendados e depois tem que tentar advinhar quem é que te beijou, no caso, quem bitocou.). Então sai correndo desesperada, como uma louca, tropeçei em frente a casa da senhora que vendia marmitex, por conta de uma calçada esburacada que nós mesmos tínhamos estragado com nossos patins, caí de boca no chão, demorei pra levantar, todos me insultaram, comecei a chorar com direito a soluços e berrei (gaguejando) que ia contar tudo para minha mãe, como uma.. uma… uma… café-com-leite!  E foi foi isso que eu voltei a ser, ou talvez jamais teria deixado de ser, porque tudo tem sua hora. Imaginei que quando eu largasse o posto de café-com-leite eu poderia ser a presidenta do amigo invisível de natal, pensei que a carta que estávamos todos escrevendo para a Angélica (tevê denovo) ia ficar na minha responsabilidade enquanto ainda não estivesse pronta (500 folhas! e as árvores? e a responsabilidade para com o meio ambiente? e o pensamento comunitário contra o desperdício? enfim…), mas não. Não foi nada disso. Prestemos bem atenção em quê botamos força e esforço. Desde então recuso méritos imaginários.

Diálogo (the girl who talked to a gray butterfly)

- Filha, lava esta camiseta por favor? Sua irmã tem apresentação hoje e quero que ela vá com a roupa impecável.

-Sim, mãe. Só esta?

-É, mas vai logo para dar tempo de secar. Aproveita que o sol está forte e está ventando…

-Está bem, já vou.

Pegou um balde que estava na área de serviço, ainda havia água neste balde, e uma borboleta flutuando. A borboleta não era colorida, mas era borboleta. Ao mecher no balde a água se movimentou e a borboleta também. Pegou cuidadosamente a borboleta com as mãos. A borboleta estava inconsciente, com as asas grudadas por causa da água. Enquanto a borboleta ia voltando ao normal a menina mantinha os olhos firmes nas asas da borboleta e dizia:

-Se suas asas grudarem, você vai morrer, abre as asas.

A borboleta, desorientada, lhe respondeu:

-Não consigo, estou fraca. Me ajude.

Então a menina pensou em abrir as asas da borboleta com os dedos, mas as asas eram tão delicadas que poderiam desmanchar em suas mãos. As asas molhadas certamente ficariam ainda mais sensíveis e frágeis - Pensou. Se tocasse nas asas teria de ser o toque perfeito, certeiro, ou a borboleta morreria. Por alguns segundos se perdeu nos pensamentos malucos, e notou que nunca tinha visto uma borboleta sobreviver sem as asas. Imaginava ser possível uma borboleta viver sem asas, mas a borboleta teria de se locomover apenas com as pernas e passar por um processo de adaptação.

 -Com asas, é certo de que ela chega mais rápido onde quiser. Mas os humanos também conseguem viver sem carros. Mas pensando bem, uma borboleta sem asas não é borboleta, nem parece ser. Um ser humano sem pernas ou braços, ainda assim parece um ser humano. - pensou.

Logo seus pensamentos foram interrompidos, a borboleta gritou:

-Vai me ajudar, ou ficar olhando para a parede esperando minhas asas colarem completamente e eu morrer aqui mesmo no seu dedo?

Não teria outro jeito, essa foi a resposta. A borboleta não sobreviveria sem as asas. Então cuidadosamente tocou as asas. A borboleta sentia muita dor, mas fechava os olhos e não gritava. Aos poucos, ela conseguiu separar as asas. A borboleta lhe agradeceu:

-Muito obrigada.

-Imagine! Só lhe peço que não voe mais aqui, pois mamãe sempre esquece de esvaziar os baldes depois que termina de enxaguar as roupas e essa área de serviço é realmente perigosa para sua espécie.

Derrepente sua mãe abre a porta da cozinha e grita:

-Está louca, menina? Falando com quem aí?

-Ninguém mamãe, estou cantando. - disse envergonhada.

-Não está não, mas… Eu hein… Ah…

E sua mãe fechou a porta. A menina colocou a borboleta no chão e voltou-se para esvaziar o balde e enchê-lo com água e sabão. Logo nos primeiros passos a borboleta se enroscou em algumas poeiras e em um fio de cabelo. Começou a chorar. A menina olhou para ela e disse:

-Mas o que foi? O que está acontecendo agora?

-Tem um fio de cabelo prendendo minhas pernas. -disse a borboleta

Derrepente a borboleta caiu. Tentou levantar mas logo tombou para o outro lado. A menina pegou a borboleta do chão e retirou o fio de cabelo das pernas da borboleta.

-Tudo bem agora? - disse a menina.

-Sim. -respondeu a borboleta.

E a menina filcou olhando a borboleta, esperando que ela voasse.

-Então voe!

-Não consigo, minhas asas ainda estão muito molhadas. - disse a borboleta chorando.

Então a menina, pacientemente, levou a borboleta para perto do varal onde havia sol, e pediu para que a borboleta ficasse imóvel.

-Não se mecha! Deixa que o Sol vai secar suas asas, bobinha, pare de chorar.

E a borboleta disse disse:

- Você mais parece um anjo. Sabe que ontem mesmo quase me mataram. Eu estava numa casa e tinha um ser humano muito pequeno que tentou me pegar. Estranho que ele não falava sua língua não.

A menina sorriu e disse:

-Devia ser uma criança, um neném. Quando nós, seres humanos somos bem pequenos, nós não falamos, apenas resmungamos ou choramos para conseguir o que queremos. Com o tempo aprendemos a falar. Pode ter certeza que não teve maldade. Crianças não sabem o que fazem, mas…eu não sou um anjo não. E, também, não pareço ser. Sempre brigo com minha mãe, e com minha irmã, anjos nem brigam. Você já esteve aqui em casa outras vezes?

-Sim, já estive aqui muitos dias. Eu já vi…

Novamente a mãe da menina abriu a porta, e a borboleta calou-se.

-O que é que você está fazendo no chão com esse bicho morto na mão? Cadê a blusa, não vai lavar? Levanta desse chão. Mas é claro, né! Não é você que lava suas roupas! Não consegue nem lavar uma camiseta! - disse a mãe nervosa.

-Calma, eu coloquei amaciante, já v.. - mentiu a menina.

-Calma o quê! Estou com pressa, minha filha! Quero essa blusa seca até as três horas!

E bateu a porta. A menina se envergonhou e pediu desculpas para a borboleta.

-Minha mãe não mede as palavras.

-Não se preocupe, está tudo bem. Acho que minhas asas já estão secas. Posso movê-las? -disse a borboleta.

-Eu não te acho um bicho. -disse a menina.

-Já disse que está tudo bem, pare de bobeira. Posso mover minhas asas agora?

-Mas me desculpe.- insistiu a menina.

-Não se desculpe pelos outros. Você não fez nada… Ah, os humanos… Mas posso mover minhas asas agora?

-Sim -disse a menina em voz baixa e cabisbaixa.

A borboleta começou levantar e descer as asas, como um aquecimento, andando pelo braço da menina, por cima dos pelinhos loiros.

-Faz cosquinha. -falou a menina sorrindo.

-Já vou parar, preciso me aquecer.- repondeu a borboleta.

A borboleta então se preparou para voar. Olhou para a menina e disse:

-Sabe, uma vez eu estava na área de serviço enquanto sua mãe lavava roupas. Ela reclamava da vida, falava sozinha, e parecia muito infeliz. Não fez o que quiz da vida. Ela nunca parou para me olhar porque eu sou uma borboleta sem cor e minhas asas não são graciosas.

-Mas você voa- disse a menina.

-Sim, vôo, e sou muito feliz. Essas são minhas asas, cinzas, como o resto do meu corpo, mas são as asas que tenho, e que me permitem voar. Sem elas eu não posso viver. Reparei que os humanos não se contentam com o que podem ter, querem sempre mais, e querem sempre o melhor. Se precisam de uma calça, querem não só uma calça, mas a calça mais bonita. E me diz, se o carro é um meio de locomoção, porque os seres humanos querem sempre os mais sofisticados? Eu não entendo. Sofrem por não ter o que querem, pois querem o que não precisam. -disse borboleta.

-Faz sentido. Mas, o que isso tem a ver? Minha mãe é briguenta mas não sofre desse mal. Ela é simples, e lhe falta muita coisa. Por isso ela reclama. Eu sou muito mais isso que você falou, do que minha mãe, e você, borboleta, me chamou de anjo.

-Engano seu. Ela também sofre porque você não é feliz. E você é o meu anjo, sim.

-Não sou. -disse a menina.

-É sim. - indagou a borboleta.

-NÃO SOU! -gritou a menina brava.

-Está vendo como és? Você discute a toa. Você salvou minha vida, e é meu anjo, mesmo que metaforicamente. Ainda assim, rebate. É por isso que várias vezes, vocês brigam em casa.

-Sua borboleta inchirida. Voe pra longe! Suma. -disse a menina brava.

-Você é prepotente. Mas eu gosto de você. -disse a borboleta.

-Não ligo. Se eu soubesse que você era chata e inchirida, deixava morrer.

A borboleta sorriu e disse:

- Você não é má. Sua mãe reclama que você não limpa a casa direito, que sempre que pede pra você dar uma faxina, você não tira as teias de aranha. Você morre de dó. Não mata nem formiga.

-Aonde você quer chegar? - perguntou a menina.

-Estou indo embora, vou para longe. Acho que vou voar para outros quarteirões. Quero mesmo ir pra outro bairro. Você foi pra mim hoje, o que você está procurando, e não encontra. Alguém que lhe estenda a mão e te salve, mas saiba você pode ir onde quer sozinha. Mesmo assim, tão prepotente, acha que precisa de outras pessoas para chegar lá do outro lado do mundo? Está enganada. Você não precisa. Engraçado que …

-Pare! -pediu a menina. -Você está me irritando.

-…engraçado que você voa sem asas. Vai. Então vai! Ande! Levante! Se meche, se move! Vai.

-Não consigo. -disse a menina.

E a menina começou a chorar de falar nos planos que não conseguia realizar.

-Não consigo, estou fraca. O fio de cabelo nas minhas pernas é o medo de aborrecer meus pais. Eles não me deixam fazer o que quero. Como amarras imaginárias. Fico esperando alguém para me ajudar.

A borboleta falou:

-Pais são assim. Eles não quererm que os filhos cometam os mesmo erros que eles cometeram. Pensam que se deu errado pra eles vai dar errado para os filhos também. Pode ter certeza que não é por mal. Mas só lhe peço: se tens um sonho, proteja-o. Você pode tombar para um lado, tombar para o outro e pode conseguir o que quer, somente se tentar… e eu não te acho uma louca. Você é humana, mas sonha. Agora vá e faça alguma coisa, hoje mesmo. E pare de chorar, sua bobinha. Faça.

-Você parece um anjo. -disse a menina. Um anjo cinza!

E derrepente a borboleta voou em direção ao céu.

despotismo

Quando eu ponho a caneta sobre o papel

Sou juiza e réu

Água e féu

Igreja e bordel

Pasta de alho e mel

Inferno e céu

Sou equilíbrio desaquilibrado

Ponto de partida e final

Ausência, limite, calor, rato

Excesso, crítica, personagem, gato.

Sou capricho e desmazelo,

alegria e desespero.

As vezes sou romântica,

Noutras vezes SOU O AMOR!

Sou objeto das minhas próprias mãos

Jamais Deus

Crio, recrio, viro criança

Subo no alto do morro

Brinco, corro, perco o fôlego e morro.

Quando ponho a caneta sobre o papel

Sou tela e pincél

A noiva e o véu

Anjo Gabriel

Cabeça e chapéu

Patricinha e Channel

A Melancia e o créu.

Quando ponho a caneta sobre o papel, eu sou.

Sou eu que mando, sou eu

o oposto , o par

o ímpar , o par

solitária, sem par

da criatividade estou a par

anél entre o pensamento e o ar.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Não há tempo para lamentos

Tenho que levantar a cabeça, ir atrás de um sustento

Deixar as injúrias voarem com o vento

Mais uma noite em casa desestimulada, me sinto ao relento

Aqui no meu quarto escrevendo sem nenhum comprometimento

Com meu gato preto do lado aconchegado no canto e sonolento

Eu sei que não cumpro a regra, não sigo o fluxo e meu pai me acha um tormento

Quando fiz 15 anos ele achou meu sonho de debutante uma loucura sem fundamento

Me disse que com o tempo eu ia esquecer isso e ia adquirir discernimento

E que eu aprenderia a controlar melhor meus sentimentos

Agora com 21 anos não mudei de pensamento

Continuo com a ideia fixa, esteja o céu azul ou cinzento

Mesmo que a minha própria casa agora seja um palco de julgamentos

E que agora me olhem e me condenem como se eu fosse um detento 

Aqui eu não não sou feliz e não me contento

Das coisas mais simples e naturais é que eu quero ter diploma e conhecimento

Vou me respeitar a partir deste momento

Aos que não querem me ajudar saibam que não terei ressentimento

Eu vou atrás do que eu quero pra mais tarde não ter arrependimento

O MEU SONHO AINDA NÃO É CONCRETO

MAS EU O MOLDEI COM CIMENTO.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

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Um homem bateu na minha porta e eu abri, senhoras e senhores ponham a mão no chão, senhoras e senhores pulem de um pé só, senhoras e senhores dêem uma rodadinha, e ‘vá’ pro olho da rua!!!!

Engraçado…

somos tão condicionados

com esses raciocínios errados

o pensamento é incutido nas cabeças inocentes

e foi assim que cresceu muita gente

cantando e brincando sem analisar

memorizando a vontades

seguindo o padrão das vaidades

enxergando no mínimo uma oportunidade

os que acimam sempre estão

e comandam o raciocínio da população

e a lavagem cerebral é tanta

que nesse mundo de hoje

nada mais espanta

a fome, a guerra, os assassinatos

nada impressiona ou amedronta mais que a pressão imposta pelos ratos

somos peças feitas pro chão

pra não tirar férias no Caribe ou viajar de avião

o que nos reservam são as fábricas

os açougues as farmácias as obras e as enxadas

analizemos o quanto é ridículo

não ter liberdade, ter que mentir no currículo

‘me proponho a trabalhar nos objetivos da empresa

repeitando os demais funcionários’

com uma frase dessas

você é chamado pra limpar as mesas

e esse é o conto do vigário

eles te deixam mentir porque você precisa do salário

na verdade esse mercado é uma guerra

que a alma quase que berra

um derruba o outro pra se dar bem

ninguém é mais refém

infelizmente é assim que tem que ser

a classe acima você tem que obedecer

almoçar correndo sem direito à sobremesa

até o almoço do dia chega a ser despesa

somos produtos  de uma educação falida

de um governo que nos desmotiva a todo momento, nos invalida

a falta de conhecimento deixa ignorante

faz balançar a cabeça pra poder seguir adiante

a vida que é sempre corrida

é um beco sem saída

as necessidade humanas mais básicas

a lei , o direito

as sonhadas cestas básicas

não há empregador fiél

e você é enganado, sem ler assina o papel

os cidadãos não têm consciência disso não

se deixam levar por um aperto de mão

dos sujeitos corruptos e insensatos

procurando por escravos ou serviços baratos

tudo isso acontece pelo simples motivo

de que a educação foi abandonada esta num asilo

está morrendo a cada dia que passa

educação de porão jogada às traças

cérebros e gênios que poderiam existir

não fosse o colírio pra cegar e inibir

os talentos e as mentes brilhantes que poderiam surgir

se a prioridade fosse a educação

e não vivessemos com esse medo

de não dar a rodadinha e perder o emprego

senhoras e senhores

ponham a mão na conciência

meninos e meninas

olhem pra concorrência

eu digo

concorram com vocês mesmos e não se deixem enganar

porque sem estudo é  complicado se destacar

ou você estuda ou você vive da sua arte

ou vai pro sistema cumprir a sua parte

de cidadão perfeito

que produz muito sem nem receber o que é direito…

 ou vá pro olho da rua!